Sob o título original Saúde, mas sem exageros (“Vida & Bem-Estar”)
Na tentativa de enquadrar-se nos padrões de beleza, muitos ultrapassam os limites entre os cuidados com o corpo e a busca pela perfeição

Foto: Gustavo Leandro/Ponta Negra, RN
Batemos um papo muito descontraído com Breno Custódio, belo-horizontino estudante do sexto período do curso de Desenho Industrial da Universidade do Estado de Minas Gerais e ator do seriado Impacto Vida, da Rede Super de Televisão. Breno interage muito pelas redes sociais (mais de 5500 pessoas já curtiram sua página no Facebook, www.facebook.com/brenocustodio) e está à procura de um olheiro ou uma agência em São Paulo ou no Rio de Janeiro que invista em sua carreira de modelo de passarela. Isso e muito mais ele revela em nossa entrevista. Eis o nosso bate-papo:

Foto: Gustavo Leandro/Ponta Negra, RN
1. Quando decidiu entrar na academia?
Breno Custódio: Eu entrei há um ano atrás, no dia 5 de julho de 2010.
2. Você é designer, uma profissão que muitas vezes nos torna um pouco sedentários, já que temos que passar muito tempo sentados. Ir para a academia foi uma questão de saúde ou a “vaidade” também falou mais alto?
BC: Bom, primeiramente ainda não sou designer (risos). Acho relevante falar que ainda sou estudante, para acabar com essa banalização de que para ser designer basta dominar softwares. Nos Estados Unidos só pode exercer essa profissão quem tem a regulamentação e eu creio que este tempo ainda chegará no Brasil (Breno joga as suas mãos para o alto).
Respondendo à pergunta, fui para a academia para melhorar a minha auto-estima. A Bíblia diz que o Senhor vê o coração, mas o homem vê o exterior. Então precisamos estar bonitos por dentro e por fora (risos). Não estou falando que quando se é magro não se pode ser bonito, mas acontece que sou alto (1,82m) sou ator e meu sonho atualmente é ser modelo de passarela, então preciso estar com meus braços e pernas proporcionais ao meu tamanho.
3. O que acha de jovens que são capazes de tudo em busca do corpo perfeito?
BC: Olha, com todo o respeito, quando vejo em alguma mídia social a foto de alguma pessoa que não tem nenhum envolvimento artístico com moda, em trajes de banho, essa atitude me revela muito de sua personalidade, já de antemão. Fico me imaginando como seria a foto do perfil de Jesus, o exemplo maior, que não era modelo de passarela, mas de vida, em alguma mídia.

Foto: Arquivo pessoal
Engraçado que nessa semana ouvi uma frase assim: “A beleza abre portas. As do pecado então, nem se fala…”, ou seja, se você está dentro desse padrão de “corpo perfeito” como você pronunciou, que é pregado lá fora, você está mais suscetível a essa busca de prazer. Você será mais tentado e as portas do pecado estarão de certa forma mais escancaradas. Em nossos dias, a imoralidade se instalou online dentro de nossas casas. Vivemos um tempo onde as pessoas têm se sucumbido diante de perversidades e anomalias trazidas por uma pornografia que diminui e desumaniza o ser humano. Assumem-se diversas personalidades e identidades, e tudo passa a ser tolerado, por ser de foro íntimo. Claro que isso se estende a imoralidade não só à questão da sexualidade, inclui também a avareza, roubo, calúnia, idolatria e alcoolismo no problema. Tudo isso é fermento velho que precisa ser eliminado, senão vai estragar a massa.
Por exemplo, em minha própria casa, onde tenho grande liberdade para me vestir e me portar, não costumo sair do banho semi-nu. Fui educado desde pequeno a levar minhas roupas para o banheiro e me vestir lá mesmo. Assim, posso estar sozinho em casa que não saio do banho enrolado na toalha. Não está errado sair de toalha do banho, entenda isto. Mas digo que também não é errado não sair. Mulheres que se apresentam semi-nuas, devem ter a consciência de que está sendo pedra de tropeço na vida de alguém. Por mais que o homem não caia com a própria pessoa que está naquela foto sensual, aquela foto pode lhe suscitar vontades, pode ser o chamativo e o fazer pecar, o fazer cair. E vale falar que criticamos tanto as mulheres por serem muitas vezes imorais e oferecidas se apresentando de uma forma indecente, não se trajando decentemente, que esquecemos que muita das vezes nós homens também podemos ser pedra de tropeço na vida de outra pessoa. Nas mídias sociais posso ver alguns rapazes exibindo seu físico nas fotos de perfis para chamar a atenção para seus corpos. Penso que essas pessoas só pensam em si próprias. Jesus não agiria assim. E eu não quero apenas ser parecido com Jesus, eu quero ser confundido com Ele. Não posso, ou melhor, não devo despertar desejo sexual em ninguém, de nenhuma forma! Antes de Deus entender que somos humanos e falhos, Ele entende que somos santos, assim como Ele o é. E eu posso ser santo. Eu quero. Agora, também tenho a maturidade para entender que o perfil em uma rede social para um modelo, pode funcionar como um portfolio, então quem sou eu para julgar se aquele rapaz que trabalha nesse meio está se portando com ou sem camisa?

Foto: Gustavo Leandro/Ponta Negra, RN
4. Sentiu-se tentado em experimentar anabolizantes?
BC: Sim. Mas graças a Deus ser tentado não é pecado, uai (risos). A primeira musica que Ana Paula (Valadão, líder do ministério de louvor de sua igreja) gravou, ainda adolescente, diz “Tudo perfeito Deus fez em seu tempo. Todas as coisas sejam lindas ao Senhor em seu tempo”. Então temos que aprender a esperar o nosso tempo, não querer dar uma ajudinha para acelerar as coisas e andar no nosso ritmo sem se comparar com ninguém, pois quando nos comparamos, ou estamos muito acima ou muito abaixo da pessoa, então não vale a pena.
Ainda hoje percebo na academia alguns rapazes que ficam querendo competir o tamanho dos músculos comigo ou agindo para eu me sentir inferiorizado. Em vão. Mas são geralmente pessoas mais velhas, e que além do mais estão malhando há mais tempo do que eu. Sou bem resolvido quanto a isso. Mesmo não sendo musculoso vou malhar de camiseta e bermuda curta e não estou nem aí. E quanto aos riscos dos esteróides não preciso nem falar aqui, né? Se queremos um jardim bonito, não guardemos uma parte central dele para as ervas daninhas.
5. A sociedade de certa forma tem sua parcela de culpa por ditar que beleza se resume em homens sarados e mulheres esguias e o exterior tem mais valor?
BC: Tenho receio ao usar o termo “sociedade” quando na verdade sei que ela começa nas famílias. Nós elogiamos muito pouco e, quando o fazemos, elogiamos mal. Minha irmã em Cristo Luciana Alone estava no Rio de Janeiro recentemente e contou que ao entrar no taxi o taxista a disse: “nossa, Deus pensou numa princesa e enviou você, éin!” Ela respondeu “Aff” e mudou de taxi (risos). Penso que se a menina cresceu ouvindo que ela é linda, é uma princesa do Senhor, quando chegar os rapazes na juventude para cortejá-la, ou com segundas intenções, ela prontamente vai responder: “Eu sou mesmo, eu sei que sou”. Mas do contrário, ela ficará maravilhada com aquele elogio e cairá fácil na conversa. Os pais dizem: “você é um menino inteligente”, mas não mostram as razões. A gente diz: “que bonita você é”, e passamos a impressão de que a gente gosta de alguém mais por sua beleza do que por sua honestidade, solidariedade, caráter ou outras virtudes, valores reais.
Jesus quando elogiava ele elogiava com bases concretas. Sim, Jesus elogiava! Não com base em impressões, em achismos ou com base em superficialidades. Ele elogiava com bases concretas, como o fez com o centurião em Mateus 8 se não me engano. O centurião, que era na época um militar chefe de cem soldados, foi até Jesus pedir que um dos seus servos fosse curado, pois sofria muito. Jesus concordou em curar o servo e disse ao centurião que iria até à casa dele para curá-lo. O centurião disse que nem precisava, bastava mandar dali mesmo que fosse curado e isso aconteceria. Ele tinha tanta fé nas palavras de Cristo que não necessitava de outras demonstrações milagrosas, bastava a palavra. A partir de sua experiência de comandar a tropa, ele atribui a Jesus uma autoridade semelhante sobre a enfermidade. Confiava que bastaria Jesus dar a ordem e seu servo seria curado. Nesse momento Jesus ficou tão admirado com a fé do centurião, sabe, que o elogiou publicamente e disse não ter encontrado ninguém em Israel com fé semelhante. Então, a sociedade somos nós. Sejamos a mudança que queremos ver nas pessoas. Podemos elogiar a beleza, mas que esse elogio seja bem menos frequente que os motivados pelas atitudes de fé e de amor ao próximo.

Foto: Gustavo Leandro/Ponta Negra, RN
6. Como o jovem cristão deve se cuidar de modo a não desagradar a Deus?
BC: A ponte de uma composição que o Senhor me deu há um tempo, Maior conquista, pergunta: (Breno começa a cantar a letra) Como pode um jovem conservar pura a sua vida? / Te obedecendo sim, conseguirá / Encontrar prazer em Tua lei / Manter o óleo sobre sua cabeça / Em preservar minhas vestes limpas / Está a minha maior conquista.
Em primeiro lugar devemos ter a consciência de que o nosso corpo não é nosso. 1 Coríntios nos afirma que o nosso corpo não nos pertence, e isso causa uma colisão frontal com o espírito consumista de nosso tempo. Receio que poucos cristãos entendam essa realidade espiritual: Não somos de nós mesmos. Não fazemos o que queremos, especialmente com o nosso corpo, pois ele pertence a Deus, e foi feito membro de Cristo. Numa época em que o culto ao corpo está tão fortemente enraizado em todas as pessoas, é difícil aceitar essa realidade. Somos a “geração saúde”, e cuidar do corpo não é ruim, pois honra ao Senhor que em nós habita.

Foto: Bressane
Por outro lado, o Senhor nos diz como devemos usar este corpo. Especialmente não o reduzindo a práticas sexuais imorais, ou à práticas que atentam contra os Seus propósitos, como no caso do adultério. Pergunto-me sempre: por que quero ficar musculoso? O que vou fazer quando adquirir músculos, quando ficar com um abdômen tanquinho? (Entrevistamos-o no mês de setembro/2011, e as fotos que ilustram foram tiradas em julho do mesmo ano. Hoje, janeiro/2012, quando chega às bancas essa publicação, Breno já conseguiu o tão desejado “tanquinho” – vide foto ao lado) A sociedade de consumo usa do forte instinto de sobrevivência do presente no ser humano, para aliá-lo ao sexo como produto de consumo, viciando-nos naquilo que ela nos quer vender. E aí não faltam produtos que dão vazão, né, a desejos ilimitados.
Então somos alistados em 1 Coríntios mesmo, 6, a fugir dessas coisas, a colocar outras em seu lugar. Não deixarmos que os desejos carnais governem a nossa vida. Há uma sexualidade boa e bonita a ser desenvolvida, na qual, pela inspiração do Espírito Santo você continuará no controle, no comando do seu ser, sem entregá-lo a outros senhores. Os jovens precisam investir nessa sexualidade! Aprofundar amizades reais, não apenas virtuais, criar vínculos, construir bons relacionamentos, que edifiquem e levem a uma sexualidade que vá além da sexualidade genital. Que não sejam reducionistas e não desintegrem a nossa humanidade e nossa espiritualidade. Aquilo que o mundo sem Deus procura tão desesperadamente, e do que somente encontra trapos e vestígios, Deus nos oferece na beleza do casamento! Procurar no casamento toda a expressão de sua plenitude e vigor é o segredo. Assim vemos que o temor do Senhor nos conduzirá a ter uma família feliz e abençoada! Bem aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos, como diz o Salmo 128.
7. Qual o limite entre o cuidado com o corpo e a idolatria?
BC: Olha, a unanimidade é perigosa. Ouvir de alguém que você é bom, lindo, tem um corpo legal, pode te levar à desgraça. Um desses perigos é justamente o egocentrismo. E o egocentrismo traz o centro de sua vida para você mesmo, seus desejos e suas vontades, e sabemos que tudo que tenta tirar Deus do centro quer na verdade ser o “ídolo”. Daí o seu corpo deixa de ser o templo do Espírito Santo para ser o seu ídolo, seu instrumento, aquilo que te faz ser alguém especial, visto, desejado, “importante”.
Quando comecei a malhar disse “Deus, quero honrar o fato de me tornares Teu templo! Não quero só migalhas, mas o Teu banquete completo. E não me deixes ser motivo de escândalo e tropeço. Eu não quero ser sensual, eu quero ser santo!”
Depois que comecei a fazer academia eu fui tentado a estar mais sem camisa, mas tenho aprendido que incompetência desabilita para o futuro. Sou desafiado a viver já, agora, de uma maneira que corresponda à minha nobre incumbência futura. Ser fiel no pouco e sobre o muito te colocarei, não é assim? (risos) Eu clamo sempre para o Senhor me ajudar a ter as prioridades dEle, para que eu não perca a eternidade por causa de coisas sem valor. Tento viver em confiante submissão a Jesus. É isso. Quando ando nas ruas eu digo: Deus, um olheiro poderia me abordar (risos) e oro para que Ele traga uma agência que me insira nessa carreira da moda. Eu quero muito viajar para outros lugares para representar meu povo, minha cor. E sei que quando isso acontecer eu terei que estar sem camisa em alguns momentos. Mas não faço questão de tirar para ser um objeto de desejo, porque visto vestes de louvor, e não vestes de sensualidade. Mesmo sendo rapaz preciso me trajar decentemente.

Foto: Gustavo Leandro/Ponta Negra, RN
8. Você colocou certa vez em seu perfil pessoal e também na fanpage no Facebook uma foto sem camisa, com um forte apelo à sensualidade e logo em seguida postou uma nota dizendo “Que mania diabólica essa do ser humano de ficar criticando tudo, todos; cheios de si, achando que são os donos da verdade, os santos, juízes.” Gostaria de falar a respeito?
BC: Claro, inclusive agradeço a oportunidade. As acusações, por mais incoerente que seja, estavam vindo de pessoas que curtiam a minha fanpage, me seguiam no twitter, e eram contra as minhas ideias. Isso me levou a escrever aquela nota. Pessoas que me acusavam de querer aparecer, de querer ficar famoso no meio não-cristão, que nós chamamos de secular, né. E disso pra pior. Não importa se intenção possa ser somente aparecer. Deus usa a nossa influência de alguma forma. O que cada um deveria fazer é cuidar da sua vida. É importante não perder tempo com bobagens que só irão lhe afastar mais ainda de Deus! A salvação é individual, não adianta você ficar apontando os erros dos outros para que eles mudem, se você não olha para os seus, correndo o risco de perder a SUA (com ênfase) salvação! Não siga aquele velho ditado: “Faça o que eu digo e não o que eu faço!” Quem está em evidência, está porque gosta, e o que o resto do mundo tem a ver com isso, não é mesmo? Jesus quer que saibamos que podemos não conhecer as motivações dos corações de outros. O único capaz de ver o que há em nossos corações é o Senhor, ser humano algum tem esse poder, nem deve querer ter, pois esse lugar é de Deus! Como alguém pode ficar tentando adivinhar e palpitar o que há no meu coração? Eu só fico assistindo tudo e digo “aham, tá, agora tenho que ir fazer isso” (risos, dando a entender que as críticas para ele são irrelevantes). Quando somos injustamente duros e destrutivamente críticos no julgamento de outros, estamos definindo o padrão pelo qual Deus nos julgará. Eu não sei o que as pessoas acham, e nem me importa saber, obrigado, mas eu não estou disposto a trocar a graça de Deus pela minha dureza irracional. Eu quero me esforçar mais pra ver outros com misericórdia e graça. Deus é bom demais e Sua misericórdia dura para sempre!
9. O que você acha dessa inserção, como em nenhum outro tempo, de ministros, atores e estudantes cristãos, no meio secular? Nessa 12ª edição do Big Brother Brasil, por exemplo, duas das participantes são evangélicas.
BC: Ah, inclusive eu amo a Jake e a Kelly, estou torcendo pra ela (risos), e não é só por ser cristã, que fique claro. Kelly é uma guerreira e já provou isso na primeira prova da casa! Bom, seja o meio que for, no boca a boca ou na maior cadeia de televisão brasileira e quarta do mundo, que agora está trazendo ministros em sua programação, ouvir que o evangelho liberta, cura e salva é a causa maior. Eu não prefiro ver a imagem dos cristãos ser denegrida ou pior, ver o nome do meu Amado ser blasfemado. Definitivamente.
10. Deixe uma resposta final às críticas.
BC: Acho uma incoerência adicionar seja quem for a uma mídia social, curtir ou seguir sendo contra suas opiniões. Sou modelo sim e trabalhos sem camisa não me fazem ímpio. Quem nós pensamos que somos para julgarmos intenções? Estou excluindo permanentemente dessas mídias, sem a possibilidade de futuro contato, aqueles que estão indo de encontro ao que compartilho. É lógico, se não aprova; não adiciona, não segue, não curte. Vale acompanhar de perto pra trair? Eu levo comigo a máxima: “Muitos perguntam como vai para saber se algo deu errado. Não dê intimidade a estes.” Acabei de sair de um trabalho como ator numa emissora cristã e perfeito seria se as pessoas entendessem que a carreira de modelo não é um ministério, e sim uma carreira, e que fui chamado por Deus para estar no meio secular. Os propósitos pertencem a Ele, e mesmo que as pessoas evangélicas me critiquem, como acontece, só paro se Ele mandar.
domingo, 29 janeiro 2012,