Diário de bordo UNE: “Aprendizados”

“O Pré-Sal e as empresas do Estado são do povo brasileiro”

Alguns países estão de olho nas reservas do Pré-Sal (faixa riquíssima que se estende do litoral do Espírito Santo até Santa Catarina), estimadas em mais de 100 bilhões de barris de petróleo. Toda essa riqueza, além de tornar definitivamente o Brasil auto-suficiente em petróleo, elevaria o nosso país a um dos maiores produtores de petróleo no mundo.

Com o esgotamento de petróleo nos Estados Unidos e o fracasso da guerra desse país contra o Iraque, é cada vez mais urgente para os EUA colocarem suas mãos nas reservas brasileiras de petróleo.

Queremos o Pré-Sal para o povo brasileiro construir hospitais, escolas e universidades, gerar empregos e garantir sete milhões de moradias para as famílias brasileiras que moram em precárias condições. Não podemos permitir que nenhuma gota de petróleo brasileiro vá aumentar os lucros dos monopólios empresariais e sirva para promover guerras injustas como o massacre do povo palestino e afegão ou a ameaça de guerra contra a Coréia do Norte.

Outro ponto alarmante é a privatização. Empresas estatais (que pertence ao Estado) como Vale, Eletrobrás, CSN, etc., que eram patrimônio público brasileiro foram vendidas a pessoas físicas. E os leilões, por mais altos que sejam teoricamente, para os ricos empresários é algo pequeno. Pequeno porque rapidamente eles recuperam o dinheiro gasto e passam a ganhar milhões e bilhões de algo que antes era do governo.

Os trabalhadores não podem se calar diante desse crime contra a soberania nacional. Vamos lutar e orar pela revogação (invalidação) da Lei 9.478/97 e exigir a reestatização de todas as estatais privatizadas. Não é justo que enquanto o povo brasileiro fique esperando por atendimento nas filas dos hospitais, enquanto faltam verbas para habitação e enquanto os nossos jovens não podem ingressar nas universidades públicas por falta de vagas, nossas riquezas sejam entregues aos grandes capitalistas nacionais e estrangeiros. Não que precisa ser nosso apenas em prol do brasileiro, mas sim em prol da vida! Os lucros dessas empresas não vão diretamente para ajudar o próximo, mas sim para enriquecer seus donos. Oremos, pois.

“A manipulação e a ditadura midiática”

A manipulação da mídia está na sua edição. Um dos erros que vêm sendo feito pelos canais de televisão, rádio ou mídia impressa, é o de substituir a informação pela opinião.

Enquanto estávamos no ConUNE, divulgaram e criticaram excessivamente o patrocínio de 100 mil reais dado ao evento pela Petrobrás. Acontece que quando a estatal vai gastar até mesmo 1 milhão de reais em publicidade na Folha de São Paulo, ninguém é oponente – a Folha muito menos.

A mídia atual quer lucro, mesmo que para isso precise ferir a sociedade. Fabricam – como empresas capitalistas – notícias ou persuasões para obter lucro. Ao invés de um grande poder econômico, é um grande poder de manipulação.

A publicidade enxertada nos veículos de comunicação, deixa de vender um produto para vender um modo de vida individualista, que instiga o consumismo doentio. Está afetando as famílias, pois desestruturam lares com propagandas de drogas lícitas e o gigante – que foi vencido na cruz de Cristo! – do sexo, onde crianças e adolescentes infelizmente se deparam cedo com práticas imorais. O sexo, algo divino, criado para a intimidade dos casais e também para eles terem filhos, tornou-se banalizado (comum, normal e vulgar) nessa geração.

Nós temos 5 desafios:

1. Orar e denunciar a mídia hegemônica, não ficar tendo a ilusão de que por si só ela irá mudar. Lá os donos são ditadores. Eles mandam e o jornalista que discordar do sistema é mandado embora. Nas escolas deviam ter laboratórios de discussão midiática para os alunos e professores analisarem o que sai da mídia. Assim se construiria consciência crítica nas pessoas.

2. Orar e conscientizar os pais que estão próximos a nós a não deixarem as revistas, a televisão como um todo e a internet como companheiras de seus filhos. Retenham a programação e sejam sábios ao liberar para o seu filho um programa, uma novela, uma fotografia ou a internet, que ultimamente se tornou algo muito perigoso para as famílias – pois ali posso ser quem eu quiser, fazer o que eu quiser e ver o que eu quiser: A INTERNET INDUZ AO OCULTO! E pior: quando esses filhos se cansarem do limite de contato físico imposto pela tela, correrá o risco deles partirem com toda a sua curiosidade rumo ao mundo real, e experimentarem tudo o que eles viam ali na tela, e achavam agradável aos seus desejos.

3. Orar, construir com sabedoria e fortalecer nossos sites e blogs, que são nossos próprios veículos.

4. Orar e conquistar algumas políticas de democratização. Em jornais, por exemplo (como o nosso amado Pr. Márcio, que agora tem todas as terças, uma coluna na segunda página do Super Notícia, jornal super vendido em Minas). É preciso ter com urgência pluralidade informativa, conteúdo que realmente edifica e importa para nós.

5. Orar, pois nada foge do controle do Senhor. E não fugirá nunca.

Vamos retomar e mudar o conceito no qual a mídia se faz de vítima, dizendo que nós violamos a liberdade de expressão da imprensa. A nossa sim, está sendo diariamente violada por eles. A mídia está deixando marcas na história de muitas famílias. Oremos, pois.

“Exigindo o diploma de Jornalismo”

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de dispensar a exigência de diploma de Jornalismo para o exercício da profissão traz graves prejuízos não só para a atividade profissional dos jornalistas, mas para a expectativa futura de milhares de estudantes da área.

Tal decisão favorece o interesse da grande mídia em desregulamentar o exercício da profissão, confundindo liberdade de imprensa com a visão neoliberal da desregulamentação das relações de trabalho (confundem liberdade de expressão com liberdade de exercício devido da profissão).

Hoje é presente a figura do jornalista colaborador: qualquer um em sua área pode publicar. Luta-se pela regulamentação adequada, onde o indivíduo será treinado, qualificado e formado para introduzir informações.

Dispensar o diploma de jornalista não significa ampliar a liberdade de informação. Pelo contrário, dispensar é restringir a informação, é comprometê-la, pois o jornalista acadêmico tem mais capacidade de reflexão. A não obrigatoriedade do diploma do jornalista é um erro. Existem erros de jornalistas formados sim, assim como profissionais de outras profissões. Mas com a formação isso é reduzido.

Os meios de comunicação social hoje estão concentrados em algumas empresas de comunicação, que controlam a quase totalidade dos meios, numa prática explícita de monopólios, como acontece com a Rede Globo de Televisão.

O ensino superior de Jornalismo qualificou o seu exercício profissional, sendo responsável pela formação de profissionais que elevaram o padrão cultural e informativo da categoria e da imprensa no Brasil. Ao desconsiderar o diploma de Jornalismo, o STF legaliza o retrocesso no exercício da profissão.

Vamos lutar por leis que exijam o diploma de Jornalismo aos profissionais que forem selecionados a trabalhar na área. Essa luta não é uma coisa nova, só no Brasil tem 101 anos (foi lançada em 1908, no 1º Congresso dos Jornalistas, onde foi fundada a Associação de Imprensa). Vamos colaborar e valorizar os profissionais formados e comprometidos com a boa informação à sociedade.

Deus abençoe. Que a leitura não possa ter sido em vão.